domingo, 28 de fevereiro de 2010

Mais notícias sobre Dilma Rousseff

28/02/2010 - 15h14

DANIEL RONCAGLIA
colaboração para a Folha Online

O presidente do PT, José Eduardo Dutra, afirmou neste domingo que surpreendeu a pesquisa Datafolha, mostrando crescimento de 5 pontos percentuais da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) na disputa presidencial. "O crescimento foi maior do que o esperado", diz.

Segundo Dutra, os números mostram que a candidatura de Dilma está consolidada e competitiva. "Ao contrário do que alguns diziam meses atrás sobre a gente, agora é a oposição que começa a pensar em um plano B."

Ele afirma que a exposição da ministra por causa do lançamento de sua pré-candidatura na semana passada teve influência no resultado. No entanto, isso é irrelevante, na sua avaliação. "O que importa não é o índice de crescimento, mas o crescimento sustentado da candidatura", afirma.

Para o senador Alvaro Dias (PSDB-PR), líder do partido no Senado, o crescimento de 5 pontos percentuais foi consequência do lançamento da pré-candidatura. "O resultado reflete o impacto provocado pela enorme publicidade em toda a mídia nacional por ocasião do lançamento oficial da candidatura da ministra durante o 4º Congresso Nacional do PT, no último final de semana", afirmou o senador em seu blog.

No dia 20 de fevereiro, a ministra foi lançada pré-candidata durante congresso de seu partido. A pesquisa foi realizada entre os dias 24 e 25 de fevereiro. Foram ouvidas 2.623 pessoas maiores de 16 anos.

A pesquisa Datafolha, publicada na edição de domingo da Folha (disponível para assinantes do jornal e do UOL), mostra ainda que Dilma atingiu 28% das intenções de voto e reduziu de 14 para 4 pontos percentuais a distância que a separa do principal rival, José Serra (PSDB), que tem 32%.

A margem de erro é de dois pontos, para mais ou para menos --ou seja, só haveria empate técnico, em 30%, na hipótese de o tucano estar no limite mínimo, e a petista, no máximo.

O crescimento da ministra da Casa Civil foi verificado em todos os cenários do levantamento. A pesquisa mostra estagnação nos índices de Ciro Gomes (PSB) e de Marina Silva (PV).

Esses novos resultados devem aumentar as especulações sobre a perspectiva de desistência de José Serra, relata a coluna Painel.

O presidente Lula manteve aprovação recorde, com 73% de ótimo/bom.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Orgulho e Preconceito da Editora Abril

Descobri alguns dados sobre Orgulho e Preconceito da Editora Abril – Coleção Grandes Clássicos Abril.

Cor da capa: creme

data da publicação: 15 de maio

Local: Rio de Janeiro e São Paulo

Vou remeter um email para a Editora Abril protestando sobre a data de lançamento da coleção aqui em Brasília, pois só teremos acesso a ela em 10 de maio, pode????????????????!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Apesar de você - Chico Buarque – 1970 Uma homenagem sincera a todos que lutaram e lutam por um ideal – seja ele qual for!!!

Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão
A minha gente hoje anda
Falando de lado
E olhando pro chão, viu
Você que inventou esse estado
E inventou de inventar
Toda a escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar
O perdão

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Eu pergunto a você
Onde vai se esconder
Da enorme euforia
Como vai proibir
Quando o galo insistir
Em cantar
Água nova brotando
E a gente se amando

Sem parar
Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros, juro
Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Este samba no escuro
Você que inventou a tristeza
Ora, tenha a fineza
De desinventar
Você vai pagar e é dobrado
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Inda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir
Que esse dia há de vir
Antes do que você pensa

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia
Como vai se explicar
Vendo o céu clarear
De repente, impunemente
Como vai abafar
Nosso coro a cantar
Na sua frente

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai se dar mal
Etc. e tal

'Blue Marble' é a mais detalhada visão do planeta Terra já vista, informou a NASA; cientista sobrepuseram imagens até chegar a esta, que está disponível em diversos formatos no site da agência espacial americana. (Matéria divulgada pelo UOL – NOTÍCIAS EM 26.02.2010)

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

ESPAM/PROJECAO

Mudanças

Claro que tanto sou resistente como adoro mudanças. Acho que é inerente ao ser humano a desconfiança diante de situações que transforma todo um ritmo já anteriormente estabelecido, mas também me encantam as boas idéias, que vêm para acrescentar, somar, transformar...

O problema são as mudanças que trazem atrasos, que acontecem não para alavancar e sim para transformar todo um esforço anterior em retrocesso...

Colocando em fatos, analisemos a situação da ESPAM: Durante dois anos e meio convivi com mestres excelentes, assisti ao crescimento intelectual de vários colegas e acredito que meus colegas também assistiram ao meu crescimento intelectual. Este é o fato inquestionável!

E de repente percebo que a linha mestra da orientação desta faculdade mudou. Já não se fala em bons mestres, já não se preocupa com boas experiências, mas sim com a possibilidade ou não da instituição ser mais ou menos rentável...

Também acredito que uma instituição de ensino não deve viver “no vermelho”, mas não consigo concordar com os que privilegiam apenas os números em detrimento da educação.

No semestre de 2009 perdemos para os bancos da UnB nosso querido Professor Piero, uma pessoa muito importante no campo das Letras, e que felizmente passou no concurso para lecionar naquela instituição e infelizmente não pode mais abrilhantar as aulas na ESPAM com sua presença.

Confesso que foi uma mudança difícil de encarar, mas foi compreensível, havia um objetivo maior a ser alcançado, e sempre me orgulharei em afirmar que nos meus primeiros passos nos estudos literários fui encaminhada pelo que havia de melhor no quesito “professor”.

Sabíamos que ficaríamos sem vários outros mestres, pois o normal seria a continuação de suas evoluções e conseqüentemente o alçar de novos vôos (copiando as palavras de minha boa amiga Helena) destes mestres em buscas de novos desafios.

Entretanto, quando do começo do semestre nos deparamos com um fato realmente lamentável: nossos professores estavam tendo seus contratos não renovados por causa da nova orientação da ESPAM/PROJECAO de pagar o mínimo possível, o que contraria qualquer atitude lúcida de valorização destes profissionais, pessoas valorosas que investiram durante anos a fio a fim de poder oferecer uma formação sólida e conseqüente aos alunos que estavam sob sua orientação.

Sou professora aposentada, da Secretaria de Educação, e relembro todas as greves que fizemos a fim de que o governo do Distrito Federal valorizasse os anos que passamos em sala de aula, sempre lutamos por “Planos de Cargos e Salários”, batalhamos duramente e arduamente por valorização em nossas profissões.

Neste momento não posso concordar com a atitude da ESPAM/PROJECAO, inclusive aconselho a revisão das metas que se baseiam em tão esdrúxulas atitudes, e esclareço que se a antiga ESPAM se tornou um negócio rentável a ponto de ser atraente para um grupo grande como o PROJECAO muito se deve ao perfil da instituição que podia se orgulhar de oferecer realmente uma excelente formação aos seus alunos através de um grupo de docentes de primeira linha.

Talvez as paredes da antiga ESPAM necessitassem de algumas camadas de tinta, talvez os investimentos em reformas estivessem demorando a serem feitos, mas tínhamos coisas mais importantes do que nos orgulhar, tínhamos realmente uma instituição de ensino com um excelente corpo docente, de primeira linha, e me assusta pensar que a brancura da tinta utilizada no prédio tenha alcançado e tomado conta das mentes dos administradores da nova ESPAM/PROJECAO e que nos seja oferecido, a nós alunos, apenas o vácuo... Branco e asséptico como o prédio da nova instituição...

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Coleção Grandes Clássicos Abril – artigo retirado do blog “Jane Austen em Português -

Mais um Orgulho para minha prateleira

Ontem, li no blog da Lia, o Quero Morar em Uma Livraria, sobre o lançamento da coleção Grandes Clássicos Abril. Não posso ouvir falar em coleções de clássicos que imediatamente procuro por alguma obra de Jane! Sim, lá está, lindo e faceiro, Orgulho e preconceito na tradução de Lúcio Cardoso. As capas são muito bonitas e muito parecidas com as capas de uma coleção da Penguin feitas por Coralie Bickford-Smith, como muito bem notou a Cynthia em seu comentário.

Se vou comprar? É claro! Faz parte da minha natureza. Como não poderei deixá-lo sozinho na prateleira, assinalei mais alguns:

  • Hamlet, Rei Lear, Macbeth – William Shakespeare (trad. Barbara Heliodora)
  • Ilusões perdidas – vol. I e II – Honoré de Balzac (trad. Leila de Aguiar Costa
  • O primo Basílio – Eça de Queirós
  • O homem que queria ser rei e outras histórias – Rudyard Kipling (trad. Cristina Carvalho Boselli)
  • Outra volta do parafuso – Henry James (trad. Brenno Silveira)
  • Coração das trevas – Joseph Conrad (trad. Celso M. Paciornik)
  • Grandes esperanças – Charles Dickens (trad. José Eduardo Moretzsohn)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Continuando as postagens sobre Dilma Rousseff, publico um artigo escrito pelo Emir Sader em 20 de fevereiro de 2010

20/02/2010

Lula, Dilma, PT

Com a jaqueta que lhe deu de presente Evo Morales e uma camisa vermelha que recebeu de Fernando Lugo, Lula propôs a candidatura de Dilma Rousseff à sua sucessão e teve o apoio unânime dos delegados ao IV Congresso do PT. No dia anterior ele tinha recordado - depois de fazer uma homenagem a seu vice José Alencar - como oito anos antes, em convenção do PT realizada no Anhembi, tinha havido um ensaio de vaia, quando o nome de Alencar foi mencionado como seu candidato a vice-presidente.
O que ocorreu entre um momento e outro? Mudou o PT? Mudou Lula? Mudaram as condições? Que partido é esse que, ao contrário da sua tradição anterior, aprovou sem dissensões, a candidatura de Dilma?
Aquele esboço de vaia visava o que seria uma aliança com o grande empresariado, que obstaculizaria a realização do programa da candidatura de Lula. O alvo estava errado, embora a suspeita tivesse fundamento. A aliança para a qual apontaria a Carta aos brasileiros – que permitiu Lula saltar do patamar histórico dos 30% do PT para os 50%, possibilitando sua vitória – não era com o empresariado nacional vinculado ao mercado interno – como era o caso de Alencar -, mas ao capital financeiro, que teria no duo Palocci-Meirelles, seus melhores representantes. (Tão errada era aquela avaliação, que Alencar notabilizou-se, durante os dois mandatos do governo Lula, pela batalha contra as altas taxas de juros, responsabilidade justamente daquele duo.)
Aquele assomo de vaia desembocaria na cisão que levou à formação do Psol, em base à avaliação de que o PT e o governo não estavam “em disputa” – como era a linguagem característica da luta ideológica daquele momento na esquerda -, mas estariam definitivamente perdidos, levados – segundo a linguagem moralista dos dissidentes – pela “capitulação” diante da burguesia e do capitalismo, governo de “gangues”, como diria Heloisa Helena na campanha de 2006. Outros setores críticos preferiram ficar no PT e dar a batalha interna.
O tempo se encarregou de decidir quem tinha razão. O Psol, depois de gozar da lua-de-mel da candidatura de Heloisa Helena – objetivamente aliada com a direita contra a candidatura do Lula -, está reduzido à intranscendência, praticamente desapareceu do campo político, luta desesperadamente agora para não perder os poucos parlamentares que sobreviveram até aqui.
Enquanto o governo e o PT, depois de passarem pela pior crise das suas histórias em 2005, apresentam – como o Congresso recém realizado demonstra - uma força e um vigor que revelam como quem ficou na batalha interna do partido tinha feito uma avaliação correta: havia uma luta interna a dar, havia uma “disputa”, a tal ponto, que o governo Lula mudou e mudou para melhor. (Como se pode ver, entre outros textos, na análise de Nelson Barbosa sobre as duas fases da política econômica do governo Lula, no livro “O Brasil, entre o passado e o futuro”, organizado por Emir Sader e por Marco Aurélio Garcia, editoras Boitempo e Perseu Abramo, recém publicado.)
A mudança fundamental se deu na substituição de Palocci – coordenador real do governo na sua primeira fase, “contingenciador” dos recursos para políticas sociais, com o primado do ajuste fiscal que ele impunha – não por algum discípulo seu, mas por Guido Mantega, que divergia dessas orientação, ao mesmo tempo que a coordenação do governo passou a ser exercida por Dilma Rousseff. O governo assumiu a centralidade do desenvolvimento econômico, estreitamente ligado às políticas redistributivas, deslocando o ajuste fiscal, que até ali tinha sido o foco central do governo. O Estado, por sua vez, retomou seu papel de indutor do crescimento econômico e promotor do conjunto de políticas econômicas que começam a mudar a fisionomia do país.
No seu conjunto, essa virada representou uma segunda fase do governo Lula, responsável pelo extraordinário apoio popular que conquistou, por sua consolidação política e sucesso impressionante na política externa.
Dilma Rousseff surgiu quase naturalmente como a candidata para dar continuidade e aprofundar os avanços do governo Lula, porque representa a melhor expressão dessa nova fisionomia do governo. O PT, por sua vez, recompôs suas forças, referenciando-se, cada vez de forma mais direta, ao governo federal, o que lhe permitiu superar sua crise e voltar a afirmar-se como principal partido brasileiro.
Lula e Dilma, nos seus discursos no Congresso, desconstruíram alguns dos principais supostos do ideário neoliberal: o de que a economia deveria primeiro crescer, para depois redistribuir; que elevação real dos salários leva inevitavelmente à inflação; que o Estado mínimo interessa aos que não necessitam do Estado; que o que chamam de “inchaço “ do Estado é a contratação de médicos, enfermeiros, professores e tantos outros servidos públicos, para fazer política social e não para burocratas sem função social. Reiteram como os bancos públicos e o mercado interno de consumo popular foram decisivos para que o Brasil saísse rápido da crise e para que os pobres não pagassem o preço mais duro dela.
O Congresso revelou como o PT se reafirma como um partido de esquerda, comprometido com um projeto popular e democrático, centrado no desenvolvimento econômico sustentável, na justiça social e na soberania política. Restam muitos desafios pela frente, o maior deles, a organização das imensas bases lulistas, - “subproletárias”, como alguns a chamam -, beneficiárias das políticas sociais do governo, que necessitam organizar-se politicamente, adquirir consciência social e tornar-se sujeitos do novo bloco no poder em processo de construção no Brasil.
O PT sai fortalecido, Lula se projeta como um grande estadista e Dilma se revela como a melhor candidata para dar continuidade e aprofundar o projeto do governo. O IV. Congresso do PT está tão distante daquela convenção de 2002, quanto a herança maldita que Lula recebeu está distante da herança bendita que deixa, na expectativa que Dilma possa dar continuidade na direção da ruptura definitiva do modelo herdado e na construção de um país justo, desenvolvido e soberano.