sexta-feira, 26 de março de 2010

domingo, 21 de março de 2010

Editado por Anselmo Raposo em 21.3.10 (Retirado do blog dilma13.blogspot.com)

 

Resposta a campanhas de difamação que agridem candidatos à Presidência do Brasil, manipulando a verdade e ocultando partes importantes das lutas destas pessoas, no caso, de Dilma Rousseff.

Pessoal,

Hoje, tenho 58 anos. Como vocês podem verificar através de um simples cálculo matemático, durante a época da ditadura no Brasil eu tinha 17 anos. Eu presenciei o que foram os anos terríveis em que vigorou no Brasil uma repressão cruel, que começou com o golpe de 1964 e atingiu seu ápice com o nefasto AI – 5, promulgado em 13 de dezembro de 1968.

Não havia liberdade, não havia esperança, o Congresso foi fechado, políticos e artistas foram perseguidos, alguns foram presos e outros tiveram que fugir para escapar às masmorras da repressão.

Nesta época, minha mãe era viva e trabalhava no Ministério do Trabalho, no Rio de Janeiro. O Ministério do Trabalho ficava na Avenida Presidente Antônio Carlos, no Centro da cidade, e várias vezes ela chegou em nossa residência, depois de um dia de trabalho, passando mal por ter sido exposta a gás lacrimogênio jogado pela polícia para acabar com manifestações contra a ditadura ocorridas no percurso de sua volta para casa.

Foi uma época muito triste, ninguém tinha segurança de nada, você poderia ser denunciado simplesmente por falar mal da ditadura, todos tinham apenas que abaixar a cabeça e aceitar tudo, e sem reclamar , pois o poder estava todo com os militares.

Mas os jovens não aceitaram este caos, jovens valorosos, corajosos, que em muitos casos pagaram com a vida por denunciar este estado de coisas. Dilma foi umas delas, inegavelmente ela deixou sua família rica e se voltou para a luta por liberdade neste nosso Brasil. E como ela, muitos optaram pela luta armada, e eles foram soberbos, e ao esforço deles devemos agradecer por vivermos hoje em um mundo em que podemos falar, discordar, denunciar, sem que percamos nossas vidas ou sem que nossas famílias paguem o preço por nós.

E hoje presencio uma campanha de difamação contra os que lutaram contra a ditadura neste país, e vejo várias “Dilmas” serem achincalhadas por pessoas que nunca se expuseram a nada, apenas pensando em seus próprios umbigos e em como aumentar suas rendas.

Isto me dói! Eu gostaria de ver vocês presenciando o que eu presenciei, gostaria de ver vocês presenciando jornais serem censurados e proibidos de circular, peças teatrais sendo proibidas de serem encenadas (inclusive os atores e atrizes sofrendo agressões físicas), gostaria de ver a reação de vocês diante da censura a artistas como Chico Buarque de Holanda (que teve que inventar um pseudônimo, “Julinho da Adelaide” para conseguir colocar suas músicas em disco), Caetano Veloso e Gilberto Gil (que tiveram que deixar o país para não acabarem nos cárceres do DOI/CODI), Jards Macalé, Geraldo Vandré, João Goulart,  Fernando Henrique Cardoso, Brizola  e tantos outros a quem a ditadura imputava faltas gravíssimas, mas que apenas lutavam por... liberdade!

Eu gostaria de ver a reação de vocês ao fechamento do Congresso Nacional, meu Deus, existe algo pior que isto, presenciar seus deputados e senadores, (entre eles Mário Covas, o grande Mário Covas, hoje já morto), eleitos legalmente pelo povo, de repente sem poderem mais intervir na vida política do país, como se nosso voto não fosse nada, não valesse nada, não significasse nada?!

Vários jovens não concordaram com tudo isto e o muito mais que aconteceu naquele tempo, e estes jovens optaram por lutar, mas lutar significava se expor, e muitos morreram, ou tiveram suas vidas definidas pela brutalidade daqueles tempos.

Hoje se questiona se a conduta deles foi correta, mas ninguém fala do que o povo estava sofrendo, parece que, para alguns, o Brasil vivia em um clima de “tudo cor de rosa”, hoje se fala mal dos que lutaram, mas esquecem de dizer que, se a atitude deles foi errada, também era errado os fatos que os obrigaram a ir tão longe, e nenhuma voz se levanta para agradecer, e dizer: “Graças às suas atitudes, algumas talvez até erradas, hoje eu posso discordar, me manifestar, gritar, denunciar, sem que eu suma nos porões da ditadura ou termine enterrada em tantos cemitérios clandestinos nos quais tantos jovens brasileiros até hoje repousam sem que suas famílias saibam dos seus destinos!”

Pessoal, eu conclamo a todos que receberem estes slides, que não embarquem em tal campanha difamatória, que, se discordam de algo, procurem provas, não aceitem imagens bonitas mas que talvez tragam sub-repticiamente apenas mentiras de covardes, de mentirosos e mentirosas covardes que assistiram em suas casas confortáveis enquanto o Brasil pegava fogo, sob anos tão pesados que hoje são conhecidos como “anos de chumbo”...

domingo, 14 de março de 2010

Quem estiver com saudades do sempre lindérrimo “Mathew Macfadyen”, é só assistir ao filme Robin Hood, no qual ele faz o papel de sherife de Nothingan (neste vídeo, ele aparece aos 1 minuto e vinte e quatro segundos).

The Tudors – a história da Inglaterra durante o reinado de Henrique VIII

Interessou-me a série “The Tudors”, principalmente porque há algum tempo lí um comentário muito bom sobre ela. Quando cheguei na Locvídeo, porém, só encontrei a terceira temporada. Inicialmente não fiquei inclinada a locar estes DVDs (três), mas depois de ler a sinopse, resolvi levar, ainda mais porque lá não havia a minissérie “Grande Sertão – Veredas”, com o Toni Ramos e a Bruna Lombardi. (Pelo jeito vou ter que comprar, se quiser rever…)

Mas não me arrependi, a série é muito bem feita, as imagens são belíssimas, e os atores são muito bonitos (se bem que o rei Henrique VIII verdadeiro não era nada daquilo que seu interprete é, pelas pesquisas que fiz sobre ele na Internet verifiquei que ele era bem… gorducho!!!

Mas o que é a vida sem um pouco de ilusão? Vá lá que sabemos que nas telas tudo é muuuuuiiiiiito mais perfeito, resolvi desculpar esta falta de precisão com o nobre rei e confesso que gostei dos resultados.

Agora, por causa da minissérie, sei a origem da religião anglicana, com algumas imprecisões, é claro, mas o comecinho, sou capaz de avaliar.

E caramba, que rei danado aquele, totalmente tirano, se a coisa não funcionasse como ele queria, era só mandar… decapitar!!!

Achei muita graça também dos casos amorosos deste mesmo rei, ele casava, anulava a união, descasava, e outros que tais de uma maneira incrível, coitada das senhoras rainhas: não gostou, separou, reclamou, morreu…

Mas vale a pena assistir, é diversão garantida!!!

Em tempo: O ator (gatézimo) que faz o rei é o Jonathan Rhys Meyers, que aliás está excelente no papel.

Nada é impossível com a motivação certa. Publicado em “olhares” por obvious em 13 mar 2010.

Imaginem se todos acreditassem na frase acima! Confesso que em certas horas me sinto abatida para enfrentar alguns problemas que me acontecem. Vou repensar esta situação…

nada é impossível com a motivação certa

sábado, 13 de março de 2010

Texto retirado do “Blog DO Emir”, no dia 12 de março de 2010, em que o jornalista Emir Sader tece algumas considerações sobre “verdades” (sic) veiculadas pela imprensa (vendida) brasileira, ou o porque do povo brasileiro ser tão alienado das verdadeiras verdades que acontecem no mundo…

Os fariseus e a dignidade

O que sabem os leitores dos diários brasileiros sobre Cuba? O que sabem os telespectadores brasileiros sobre Cuba? O que sabem os ouvintes de rádio brasileiros sobre Cuba? O que saberia o povo brasileiro sobre Cuba, se dependesse da mídia brasileira?
O que mais os jornalistas da imprensa mercantil adoram é concordar com seus patrões. Podem exorbitar na linguagem, para badalar os que pagam seu salários. Sabem que atacar ao PT é o que mais agrada a seus patrões, porque é quem mais os perturba e os afeta. Vale até dar espaco para qualquer mercenário publicar calúnias contra o Lula, para, depois jogá-lo de volta na lata do lixo.
No circo dessa imprensa recentemente realizado em São Paulo, os relatos dizem que os donos das empresas – Frias, Marinhos – tinham intervenções mais discretas, – ninguem duvida das suas posiçõoes de ultra-direita -, mas seus empregados se exibiam competindo sobre quem fazia a declaração mais extremista, mais retumbante, sabendo que seriam recolhidas pela mídia, mas sobretudo buscando sorrisinho no rosto dos patrões e, quem sabe, uns zerinhos a mais no contracheque no fim do mês.
Quem foi informado pela imprensa que há quase 50 anos Cuba já terminou com o analfabetismo, que mais recentemente, com a participação direta dos seus educadores, o analfabetismo foi erradicado na Venezuela, na Bolívia e no Equador? Que empresa jornalística noiticiou? Quais mandaram repórteres para saber como países pobres ou menos desenvolvidos conseguiram o que mais desenvolvidos como os EUA ou mesmo o Brasil, a Argentina, o México, náo conseguiram?
Mandaram repórteres saber como funciona naquela ilha do Caribe, pouco desenvolvida economicamente, o sistema educacional e de saúde universal e gratuito para todos? Se perguntaram sobre a comparação feita por Michael Moore no seu filme "Sicko" sobre os sistemas de saúde – em particular o brutalmente mercantilizado dos EUA e o público e gratuito de Cuba?
Essas empresas privadas da mídia fizeram reportagens sobre a Escola Latinoamericana de Medicina que, em Cuba, já formou mais de cinco gerações de médicos de todos os países da América Latina e inclusive dos EUA, gratuitamente, na melhor medicina social do mundo? Foi despertada a curiosidade de algum jornalista, econômico, educativo ou não, sobre o fato de que Cuba, passando por grandes dificuldades econômicas – como suas empresas não deixam de noticiar – não fechou nenhuma vaga nem nas suas escolas tradicionais, nem na Escola Latinoamericana de Medicina, nem fechou nenhum leito em hospitais?
Se dependesse dessas empresas, se trataria de um regime “decrépito”, governado por dois irmãos há mais de 50 anos, um verdadeiro “goulag tropical”, uma ilha transformada em prisão.
Alguém tentou explicar como é possivel conviver esse tipo de sociedade igualitária com a base naval de Guantánamo? Se noticiam regularmente as barbaridades que ocorrem lá, onde presos sob simples suspeita, são interrogados e torturados – conforme tantas testemunhas que a imprensa se nega em publicar – em condições fora de qualquer jurisdição internacional?
Noticiam que, como disse Raul Castro, sim, se tortura naquela ilha, se prende, se julga e se condena da forma mais arbitrária possível, detidos em masmorras, como animais, mas isso se passa sob responsabilidade norteamericana, desse mesmo governo que protesta por uma greve de fome de uma pessoa que – apesar da ignorância de cronistas da família Frias – não é um preso, mas está livre, na sua casa?
Perguntam-se por que a maior potência imperial do mundo, derrotada por essa pequena ilha, ainda hoje tem um pedaco do seu territorio? Escandalizam-se, dizendo que se “passou dos limites”, quando constatam que isso se dá há mais de um século, sob os olhos complacentes da “comunidade internacional”, modelo de “civilização”, agentes do colonialismo, da escravidão, da pirataria, do imperialismo, das duas grandes guerras mundiais, do fascismo?
Comparam a “indignação” atual dos jornais dos seus patrões com o que disseram ou calaram sobre Abu-Graieb? Sobre os “falsos positivos” (sabem do que se trata?) na Colômbia? Sobre a invasao e os massacres no Panamá, por tropas norteamericanas, que sequestraram e levaram para ser julgado em Miami seu ex-aliado e então presidente eleito do país, Noriega, cujos 30 anos foram completamente desconhecidos pela imprensa? Falam do muro que os EUA construíram na fronteira com o México, onde morre todos os anos mais gente do que em todo tempo de existência do muro de Berlim? A ocupação brutal da Palestina, o cerco que ainda segue a Gaza, é tema de seus espacos jornalisticos ou melhor calar para que os cada vez menos leitores, telespectadores e ouvintes possam se recordar do que realmente é barbarie, mas que cometida pela “civilizada” Israel – que ademais conta com empresas que anunciam regularmente nos orgãos dessas empresas – deve ser escondida? Que protestos fizeram os empregados da empresa que emprestou seus carros para que atuassem os servicos repressivos da ditadura, disfarçaados de jornalistas, para sequestrar, torturar, fuzilar e fazer opositores desaparecerem? Disseram que isso “passou de todos os limites” ou ficaram calados, para não perder seus empregos?
Mas morreu um preso em Cuba. Que horror! Que oportunidade para bajular os seus patrões, mostrando indignação contra um país de esquerda! Que bom poder reafirmar diante deles que se se foi algum dia de esquerda, foi um resfriado, pego por más convivências, em lugares que não frequentam mais; já estão curados, vacinados, nunca mais pegarão esse vírus. (Um empregado da família Frias, casado com uma tucana, orgulha-se de ter ido a todos os Foruns Econômicos de Davos e a nenhum Fórum Social Mundial.
Ali pôde conhecer ricaços e entrevistá-los, antes que estivessem envoldidos em escândalos, quebrassem ou fossem para a prisão. Cada um tem seu gosto, mas não dá para posar como “progressista”, escolhendo Davos a Porto Alegre.)
Não conhecem Cuba, promovem a mentira do silêncio, para poder difamar Cuba. Não dizem o que era na época da ditadura de Batista e em que se transformou hoje. Não dizem que os problemas que têm a ilha é porque não quer fazer o que fez o darling dessa midia, FHC, impondo duro ajuste fiscal para equilibrar as finanças públicas, privatizando, favorecendo o grande capital, financeirizando a economia e o Estado. Cuba busca manter os direitos universais a toda sua população, para o que trata de desenvolver um modelo econômico que não faça com que o povo pague as dificuldades da economia. Mentem silenciando sobre o fato de que, em Cuba, não há ninguem abandonado nas ruas, de que todos podem contar com o apoio do Estado cubano, um Estado que nunca se rendeu ao FMI.
Cuba é a sociedade mais igualitária do mundo, a mais solidária, um país soberano, assediado pelo mais longo bloqueio que a história conheceu, de quase 50 anos, pela maior potência econômica e militar da história. Cuba é vítima privilegiada da imprensa saudosa do Bush, porque se é possivel uma sociedade igualitária, solidária, mesmo que pobre, que maior acusação pode haver contra a sociedade do egoísmo, do consumismo, da mercantilizacao, em que tudo tem preço, tudo se vende, tudo se compra?
Como disse Celso Amorim, o Ministro de Relações Exteriores do Brasil: os que querem contribuir a resolver a situação de Cuba tem uma fórmula muito simples – terminem com o bloqueio contra a ilha. Terminem com Guantanamo como base de terrorismo internacional, terminem com o bloqueio informativo, dêem aos cubanos o mesmo direito que dão diariamente aos opositores ao regime – o do expor o que pensam. Relatem as verdades de Cuba no lugar das mentiras, do silêncio e da covardia.
Diante de situações como essa, a razão e a atualidade de José Martí:
“Há de haver no mundo certa quantidade de decoro,
como há de haver certa quantidade de luz.
Quando há muitos homens sem decoro, há sempre outros
que têm em si o decoro de muitos homens.
Estes são os que se rebelam com força terrível
contra os que roubam aos povos sua liberdade,
que é roubar-lhes seu decoro.
Nesses homens vão milhares de homens,
vai um povo inteiro,
vai a dignidade humana…

Postado por Emir Sader às 05:03