terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Bolt - mais uma animação da Disney

Estou esperando uma folga na agenda para ir ao cinema ver o novo trabalho dos estúdios Disney em conjunto com a Pixar, enquanto isso, aqui vai um artigo sobre "Bolt" - as descobertas de um cão. (escrito por Tom Leão)

'Bolt', as descobertas de um cão

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As animações infantis estão cada vez menos... infantis. Embora “Bolt” (no original) até tenha os seus momentos ternura para os menores de 10 anos, ele joga mais para a galerinha teen e, de quebra, para os adultos, também (que são, aliás, os que levam os menores ao cinema). Agora, é tudo mais dinâmico e quase igual a um filme de verdade.
Por isso, qualidade de animação à parte (nada menos do que a excelência de sempre da Disney, sob a supervisão de John Lasseter, da Pixar), o filme em questão é uma aventura com muita ação, disfarçada de road movie (com um toque nacionalista), e com uma pitada de crítica ao sistema de Hollywood, mas sem pegar pesado.
A trama é sobre um cão da raça Husky que estrela uma famosa série de ação para a TV. Mas, para que tudo soe naturalista, Bolt é criado de modo a achar que tudo o que faz e vive é verdade. Ele realmente acha que é um cão com super poderes (na verdade, criado pela equipe de efeitos especiais). Até que, um dia, por conta de um acidente, se perde, vai parar longe dos estúdios e tem que enfrentar a vida real, sobre a qual ele não tem a menor idéia de como seja.

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Na sua jornada de volta para Los Angeles, é ajudado por uma gata que conheceu em Nova York (onde foi parar) e, enquanto cruza a América, conhece também um hamster que é fanático pela série de Bolt, e o ajuda como se este realmente fosse um super herói canino, confundindo ainda mais o cãozinho. No fim das contas, "Bolt" é um filme sobre descobertas, da vida e também do país/mundo em que se vive, que é mais fascinante do que o que passa na TV.
Ele também pode ser visto em 3D, o que amplia a diversão. Mas não faz disso o seu maior trunfo. Pode ser muito bem apreciado em cópias normais, já que seu roteiro não fica à mercê dos truques tridimensionais, como ficava a animação Disney-3D anterior, a fraca “A família do futuro”. Aliás, é até melhor assistir à cópia normal em versão original (ainda que a dublagem da gata Mittens por Maria Clara Gueiros seja muito boa), porque o cão Bolt tem a voz de John Travolta, um bônus à parte. Seja como for, a diversão está garantida, porque o filme é bacaninha.

Literatura Infanto - Juvenil

Resolvi fazer o serviço completo:  procurei as sinopses dos livros (retirei da Wikipedia) que são a continuação de "Crepúsculo", e coloco aqui para quem quiser conhecer toda a história de Bella Swam e Edward Cullen, inclusive a sinopse de "Crepúsculo".  Aproveitem e deliciem-se... afinal, ler sempre é demais!

Twilight (série)

Twilight (Crepúsculo, em português) é uma série de histórias de fantasia, romance e terror escrita por Stephenie Meyer. Ela conta as aventuras de Isabella Swan (Bella), uma adolescente que se muda para Forks, Washington e encontra sua vida virada de ponta-cabeça quando se apaixona por um vampiro chamado Edward Cullen.

A série é essencialmente contada do ponto de vista de Bella, com o epílogo de Eclipse e um terço de Breaking Dawn sendo contado do ponto de vista de Jacob Black. Midnight Sun, uma futura continuação da série, será contada a partir do ponto de vista de Edward. Stephenie Meyer publicou o primeiro capítulo de Midnight Sun em seu site.

Sinopse

Crepúsculo (Twilight)

Isabella (Bella) Swan, de 17 anos, nunca tentou ser como os outros jovens da sua idade. Sendo uma jovem extremamente responsável, tímida e reclusa dentro de si mesma, ela muda-se da grande e quente cidade de Phoenix, no Arizona, para Forks, uma chuvosa e nublada vila do interior de Washington, tão pequena que quase todos os habitantes se conhecem. É ali que Bella irá morar com seu pai e é na sua nova escola que ela conhece os Cullen, cinco intrigantes jovens de uma extrema beleza. É neste mistério que caracteriza a família, que Bella se vê atraída pelo misterioso Edward Cullen, jovem pálido e de cabelos cor de bronze que mostrará um novo universo a Bella, transformando completamente o rumo da sua vida e deixando a sua história bem mais emocionante. Edward trata-se de um vampiro, que acaba por se apaixonar por Bella, enquanto controla e resiste ao seu maior desejo - provar o sangue de Bella por este ser mais tentador e atraente devido do seu amor por ela; apesar do fato de, ao contrário dos outros vampiros, só se alimentar de sangue animal. Bella não sabe que, quanto mais se aproxima de Edward, mais perigo cria tanto para si como para as pessoas que ela própria ama. É então que James, um vampiro viciado em caçadas, que juntamente com o seu grupo foi o culpado de inxeplicáveis homicídios, se determina em matá-la, uma vez que não resiste ao cheiro do seu sangue. Carslile convida-os para ir na sua casa e conversar, e enquanto isso, Edward, Alice e Emmet ajudam Bella a escapar viva. Ela se despede de Charlie e vai para Phoenix - tudo muito cuidadosamente para não serem percebidos por James. Bella vai com Alice e Jasper para Phoenix, Rosalie e Esme ficam seguindo a mulher que o acompanhava e Carslile, Emmet e Edward vão atrás de James, para tentar matá-lo. Enquanto Bella está em Phoenix, Alice tem uma visão com a casa da mãe de Bella e o estúdio de ballet onde Bella tinha aulas com 7 ou 8 anos. Bella, sem que eles percebam, recebe um golpe baixo que a faz pensar que o inimigo está com a sua mãe, e a faz fugir em sua direção, para ser morta e parar de causar problemas para todos. Enquanto eles estão no aeroporto, esperando por Edward e Carslile, ela foge. Ela chega na casa da sua mãe, onde tem um telefone para ela ligar e a pessoa do outro lado manda ela ir para o estúdio de ballet . Ela vai e descobre que era um golpe e James não estava com sua mãe. James a morde e ela começa a se transformar em vampiro. Quando ela acorda, está no hospital e Edward conta que teve que chupar seu sangue para ela se livrar do veneno do vampiro, e que se fosse um pouco mais tarde agora ela seria um deles. No prólogo, Bella está recuperada e Edward leva ela no baile da escola.

Lua Nova (New Moon)

É 13 de Setembro, um dos dias mais temidos por Bella, dado que é o seu aniversário. Contra a sua vontade, Alice Cullen prepara uma festa surpresa, presentes incluidos. Ao abrir um deles, Bella corta-se no papel e Jasper, o vampiro com mais dificuldade em se conter ao cheiro de sangue, observa o gesto de Bella. Ao ver a minúscula mas suficiente gota de sangue em seu dedo , Jasper não consegue evitar e tenta atacá-la. É por esse motivo que Edward e sua família vão embora de Forks. Ele teme que esteja colocando a vida de Bella em perigo. Bella entra em uma depressão profunda por vários meses depois que ele parte, até que ela desenvolve uma forte amizade com Jacob Black, que mais tarde se revela ser um lobisomem. Jacob e os outros lobisomens de sua vila devem protegê-la de Victoria, uma vampira má que pretende se vingar de Edward por ele ter matado James, matando Bella. Bella ainda em depressão. Com os acontecimentos, descobre que quando está em perigo, ou quando sente adrenalina, a voz de Edward, que ela julga ser uma alucinação, fala dentro de sua cabeça. Para nunca esquecer a voz dele, envolve-se em perigosas atividades, como guiar motos e fazer queda livre. Numa destas atividades, Bella quase se afoga no mar, mas esta não morre. Alice vê Bella atirar-se do penhasco e Edward pensa que Bella está realmente morta. Desesperado, ele decide então cometer suicídio, apelando para os Volturi, uma grupo que representa espécie de 'realeza' entre os vampiros e aplica 'leis' para manter sua espécie em segredo. Ele vai a Volterra, Itália, procurando pelos Volturi, mas Bella o detém. Eles se encontram com os Volturi antes de retornarem para Forks e Aro, seu lider, demonstra um interesse especial em Bella, considerando que seu conhecimento sobre os vampiros pode colocar sua espécie em perigo e exigindo que ela seja morta ou transformada em vampira também.

Eclipse (Eclipse)

Um exército de vampiros "recém-nascidos” está á solta nas ruas de Seattle, uma cidade perto de Forks e Edward está mais alerta que nunca. Enquanto os Cullen vêem este problema como uma desculpa para receberem uma visita dos Volturi, Bella preocupa-se mais em escolher a sua amizade com Jacob (permanecendo humana, mas entregue ao castigo dos Volturi por ser a única humana a saber sobre a existência de vampiros) ou o amor que sente por Edward (sendo transformada num vampiro) e originar uma batalha entre lobisomens e vampiros, pondo a sua nova familia e os seus antigos amigos em risco. Bella descobre que Victoria é a criadora dos novos-vampiros e uma batalha para proteger a adolescente começa. Os lobisomens aliam-se aos Cullen e Victoria é morta. Os Volturi aparecem mas eles confiam em que Carslile vai transformar Bella num vampiro.

O lançamento do livro, em português, no Brasil está previsto para 15 de janeiro de 2009.

Amanhecer (Breaking Dawn)

Bella e Edward se casam e passam a Lua-de-Mel no Brasil, mas eles voltam repentinamente pois Bella descobre que está grávida. Edward quer que Bella faça um aborto pois tem medo de que a criatura a mate. Bella pede ajuda a Rosalie e ela cuida de Bella enquanto está grávida. O bebê representa uma "maldição" para os Lobisomens, pois não sabem que criatura irá nascer (meio humana meio vampiro). O bando planeja destruir a criatura antes que ela nasça, e conseqüentemente Bella também. Jacob não aceita isso e se rebela contra o bando. Bella definha a medida que a gestação avança. Os Cullen descobrem que devem alimentar Bella com sangue para que a criança não a mate, e ela segue a instrução. A gestação dura pouquíssimo tempo, a criança nasce e Edward transforma Bella em uma Vampira, antes que ela morra depois do parto. Ela não sofre com os sintomas de um recém nascido. A criança é uma menina,e recebe o nome de Renesmee. Bella conta a seu pai sobre sua vida, mas não revela diretamente que é uma vampira. Alice vê que os Volturi estão vindo para matar Renesmee. Alice foge com Jasper. Carlisle, Esme, Rosalie e Emmett chamam todos os vampiros que eles conhecem. Mas a real intenção dos Cullen, é fazer os Volturi ouvi-los, já que os Cullen sabem que se lutassem, morreriam. Todos esperam na mansão Cullen até que os Volturi chegam. Bella descobre que tem o poder de criar um escudo envolta de si,e pára a luta. Quando os Cullen, seus amigos, os Lobisomens e os Volturi estão frente a frente para uma batalha. Alice volta e traz com ela um meio-vampiro meio-humano para provar que não há problema em deixar Renesmee viva.

Madagascar 2

Confesso que vi em DVD pirata! Não tive muita vontade de ir até um cinema, comprar ingresso e tudo o mais, foi mais fácil comprar um piratão... Me arrependi, o desenho merece uma visita ao cinema, se não pelo filme todo, pelo menos pelo "caso" entre Glória e Melman, um casal de " hipopotama" (Glória) e "girafo" (Melman) que é demais, lindo e de fazer morrer de rir, e pelos sempre geniais pinguins, e pelas alucinações de Alex, o leão, vale a pena, resolvi até anexar uma crítica que encontrei na Internet, de Mariana Deslandes, que confirma o que eu achei. Vamos lá, gente, "toca" para o cinema antes que saia de circuito!

Madagascar 2

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por MARIANA DESLANDES

Depois de passar uma temporada em Madagascar, o grupo de amigos formado pelo leão Alex, a zebra Marty, a girafa Melman e a hipopótamo Glória embarca em um avião construído pelos geniais pingüins (quem disse que pingüim não voa?) do primeiro filme, com o objetivo de retornar ao zoológico de Nova York. A viagem dos quatro amigos e uma pequena e providencial retrospectiva - já que "Madagascar" e "Selvagem" têm temáticas bem parecidas – iniciam a segunda e mais interessante aventura do rei de Nova York e seus amigos.
O melhor do humor desta vez não fica a cargo dos pingüins que, aliás, não conseguem chegar ao destino programado e acabam pousando a aeronave em plena selva africana. É de se esperar, já que construir um avião com destroços e materiais encontrados na mata já é o bastante. Não dá para exigir que os bichinhos também tivessem extraído dali combustível suficiente para voar até Manhattan.
É no novo lar dos quatro e inseparáveis amigos que Melman e Glória roubam a cena, protagonizando as melhores cenas do filme. Entre elas, depois de decidir que chegou o momento de começar a namorar, a hipopótamo marca um encontro com o macho mais “bombado” do bando, um tipo musculoso e acerebrado, cheio de cantadas prontas e truques na manga.
É exatamente graças ao humor que o roteirista Etan Cohen ("Idiocracy", "Trovão Tropical") fez com que algo raro no cinema acontecesse: o segundo filme superar o primeiro. Algumas piadas são voltadas para os baixinhos, outras buscam agradar os adultos que os acompanham. Esses momentos são bem fáceis de distinguir, mas não fazem com que "Madagascar 2" perca pontos na apreciação de nenhum dos dois públicos.
A maior falha do filme está na relação de Alex com os pais que ele descobre ter quando desembarca na África. Tudo flui muito rápido e simplório para uma família que acabou de se reencontrar depois de anos separados. Mas, para a sorte dos fãs de animação, tanto crianças quanto adultos, isso não chega a prejudicar muito a história, já que todo o resto compensa o pequeno deslize.

nota: 7/10 -- vale o ingresso

Madagascar 2 (Madagascar: Escape 2 Africa, 2008, EUA)
direção: Eric Darnell, Tom McGrath; com vozes de: Ben Stiller, Chris Rock, David Schwimmer, Jada Pinkett Smith, Sacha Baron Cohen, Cedric the Entertainer, Andy Richter, Bernie Mac, Alec Baldwin, Will i Am; roteiro: Etan Cohen; produção: Mireille Soria, Mark Swift; montagem: Mark A. Hester; música: Hans Zimmer; estúdio: DreamWorks Animation, PDI; distribuição: Paramount Pictures. 89 min

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Artigo do site "globo.com" explica Papai Noel

 Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Afresco medieval da igreja de Boyana, na Bulgária, mostra São Nicolau (Foto: Reprodução/Wikimedia Commons)

O Papai Noel como conhecemos, de roupa vermelha, sacola nas costas e barba branca, é, na verdade, uma modificação moderna da figura do 'bom velhinho' original. Inspirador do Papai Noel, São Nicolau (Saint Nicholas, em inglês) era um homem simples, dedicado à religião, que nasceu em 280, na cidade de Patara, na Ásia menor (hoje Turquia).

Mitos e verdades se misturam na história desse bispo que se tornou santo. Quando seus pais morreram, ele distribuiu a herança entre os pobres, o que o tornou conhecido na região.

Também ficou famoso por ter ajudado a família de um nobre que entrou em falência. Seus credores queriam, além de todos seus bens, a mão das três filhas em casamento. Sabendo que elas sofreriam agressões e escravidão, o nobre entrou em desespero, pois não tinha dinheiro para o dote que faria suas filhas se casarem mais cedo. Conhecendo o dilema do nobre, Nicolau jogou um saco de ouro em seu quintal. E fez isso com as duas outras filhas. Descoberto, o bispo fez o nobre jurar que não revelaria seu nome até sua morte. Daí partiu a tradição de distribuir presentes anônimos.

Veja imagens da decoração de Natal pelo mundo

As histórias da vida de Nicolau se espalharam pela Grécia e pelo Império Romano. Muitas lendas surgiram, mas foi a distribuição de presentes que ficou conhecida no mês sua morte, dezembro. Em 988, Vladimir, o Grande, príncipe da Rússia, se converteu ao cristianismo e viajou a Constantinopla para ser batizado. Lá ele ouviu a história de São Nicolau e ficou tão impressionado que o nomeou padroeiro de toda a Rússia. As tradições e lendas começaram a se relacionar com histórias bíblicas.

Na América

Após a colonização da América, os europeus que lá foram morar levaram suas crenças com eles. Na Pensilvânia, havia muitas referências a São Nicolau. Em 1809, um livro infantil trouxe as referências do bispo turco para os Estados Unidos. Em "Knickerbocker's History of New York", o escritor Washington Irving se baseou em São Nicolau para criar um personagem que entrava nas casas pela chaminé.

Na década de 1860, o ilustrador Thomas Nast criou imagens de São Nicolau (que nessa época já tinha o apelido de Santa Claus) para a edição de Natal da revista Harper's. No século XX, a Coca Cola fez uma série de comerciais com a figura do papai noel. A partir daí, a imagem do bom velhinho se popularizou e virou sinônimo da data festiva católica.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Feliz 2009

 

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De coração, desejo a todos que 2009 traga paz, alegria, saúde, felicidade, enfim, tudo que almejamos e que com certeza merecemos.

Ângela

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Postado por Luciano Trigo em 10 de Novembro de 2008 às 21:11

Entrevista: Martha Medeiros

Em Doidas e santas, a escritora gaúcha faz a crônica da nova desordem amorosa

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Há várias semanas nas listas de livros mais vendidos de todo o país, Doidas e santas (L&PM, 232 pgs. R$31) reúne cem crônicas da gaúcha Martha Medeiros, cronista, poeta e romancista que vem conquistando uma legião cada vez maior de leitores (e sobretudo leitoras) com textos que abordam diferentes questões da vida contemporânea. Amor, maternidade, sexo, família, casamento e as neuroses da vida urbana são alguns dos temas abordados no livro, que mapeia a mutante ordem afetiva em que vivemos.

G1: Ao longo de sua vida, você foi mais doida ou santa? E no momento atual?

MARTHA MEDEIROS: São dois adjetivos fortes e muito antagônicos. Acho que sempre fui mais santa, no sentido de não ser rebelde, de seguir certas regras, de não virar muitas mesas. De algum tempo para cá, estou virando algumas, todas particulares e sem fazer muito estardalhaço. Não chego a ser uma doida graduada, mas aprendi a respeitar minhas pequenas loucuras secretas.

G1: A crônica que dá título ao seu novo livro foi inspirado num verso de Adélia Prado: “Estou no começo do meu desespero/ e só vejo dois caminhos:/ ou viro doida ou santa”. Você acha que a mulher brasileira contemporânea realmente vive esse dilema?

MARTHA: Não tive a pretensão de retratar a mulher brasileira contemporânea. Essa crônica fala genericamente das escolhas que uma mulher madura faz: ou ela segue tentando satisfazer seus desejos ou interrompe as buscas. Costuma-se dizer que uma mulher de certa idade que ainda almeja paixões é uma doida, as santas serenizam. Na minha opinião, essas santas é que são loucas.

G1: Lá pelas tantas você escreve: “Toda mulher é doida. Eu só conheço mulher louca”. Se um homem escrevesse isso, talvez fosse apedrejado… Seus leitores às vezes reagem mal ao que você escreve? Em que medida o retorno que eles dão afeta a sua escrita?

MARTHA: Nenhum homem seria apedrejado se escrevesse isso, a não ser por mulheres muito mal humoradas, porque está na cara que ser “louca”, no sentido em que uso, é um elogio a todas nós. É a loucura do eterno questionamento, de não se contentar com o que parece definitivo, de possuir inúmeras vontades, mesmo contraditórias: casar e não casar, ter filhos e não ter filhos… É a loucura sadia de querer se conhecer profundamente, já que não muito tempo atrás nosso papel era muito definido e inquestionável. Antes éramos mulheres privadas, agora somos públicas. Ainda estamos em estado de excitação: falamos demais, gesticulamos demais, queremos demais, amamos demais. Somos ainda bastante superlativas. Quanto ao retorno dos leitores, é estimulante, mas não muda o caráter da minha escrita. Aceito críticas bem argumentadas e que são feitas com educação, e deleto as grosserias, mas na maior parte do tempo recebo elogios, pAra minha sorte. De qualquer forma, não há como alterar o
jeito de escrever em função de uma reação ou outra: eu faço o que sei fazer, não conheço outro jeito.

G1: Você está entre os escritores mais reproduzidos Na Internet. Como enxerga a crescente “virtualização” da vida, dos relacionamentos, da comunicação entre as pessoas?

MARTHA: Duas coisas: a reprodução dos meus textos pela Internet, apesar de me
divulgar, me incomoda barbaramente. Eu me daria por satisfeita em ser lida nos jornais e nos livros – o que já é bom demais. Na Internet, perco o controle do meu trabalho. Meus textos ganham enxertos, ganham cortes, ganham novas autorias, vêm acompanhados de músicas que não são do meu gosto, de ilustrações que não acrescentam nada, enfim, me sinto violada, apesar de entender que nada posso fazer quanto a isso, e que há uma generosidade do leitor por trás dessa propagação do meu trabalho. Me rendo. Quanto à virtualização da vida, ninguém nos obriga a isso, é uma opção nossa. A comunicação por e-mail é facilitadora, dinamiza as relações. Já expor a vida no Orkut me parece pura vaidade. Mas ela é explicável neste mundo onde você só “existe” se tiver uma vasta platéia. Ninguém mais está interessado em existir apenas para si mesmo.

G1: E como analisa esse impulso à exposição da intimidade, que fica explícita nas redes sociais, mas também em programas de televisão e mesmo no dia-a-dia, nas conversas cotidianas? A que atribui isso?

MARTHA: Acho que é isso: vaidade e solidão. Estamos vivendo uma época em que
todos sentem necessidade de “aparecer” para comprovar sua existência. Claro que isso não acontece com todo mundo, mas me parece que esse universo espetaculoso que a gente vê nas revistas e na televisão está gerando muitos complexos de inferioridade por aí, e a gente sabe que quanto mais inferior a pessoa se sente, mas necessidade tem de se exibir, de se expor, de ser arrogante.

G1: Várias crônicas suas falam sobre o casamento e a relação a dois. Você acha que o casamento e a família estão em crise? Que futuro você enxerga para essas duas instituições numa sociedade em que todos os laços parecem cada vez mais instáveis e frágeis?

MARTHA: Eu creio que todo mundo segue almejando uma relação estável, uma
relação de amor. Falta aceitar que o “pra sempre” não existe mais, porque temos mais oportunidades e mais longevidade, e isso dinamiza a vida. Se aceitarmos que não é nenhum fiasco vivenciar, ao longo da vida, duas ou três relações estáveis – sem contar as provisórias, contingentes, como dizia Simone de Beauvoir – ninguém mais falará em fracasso ou crise. Se observarmos bem, já estamos vivendo essa realidade. Falta aceitá-la como padrão de normalidade.

G1: Encontrar a felicidade amorosa virou quase uma obrigação muito pesada, especialmente para as mulheres. Vivemos uma fase de desespero afetivo, em que as pessoas buscam o amor a qualquer preço?

MARTHA: A qualquer preço, nem todos. Buscar a felicidade amorosa sempre foi
um objetivo do ser humano. Algumas pessoas realmente se desesperam e se jogam em qualquer oportunidade de contato, mas quem somos nós para julgar? E se esse preço não for caro pra elas? Outras aceitam a idéia de viverem sozinhas, até que surja alguém em quem valha a pena investir. Acho que a patrulha era até pior antes: se você não fosse casado, era uma solteirona recalcada (nós) ou playboys indignos de confiança (vocês). Uma enorme pressão. Hoje as pessoas já não cobram tanto se você é solteiro ou casado, ainda que a sociedade sempre receba com mais alegria os “pares” do que os “ímpares”.

G1: Lutas de décadas passadas, especialmente das mulheres, são hoje conquistas
consolidadas. Mas existe um clima de insatisfação permanente no ar, ou não? Você acha que as pessoas estão mais felizes na nova ordem em que vivemos, de “fast relationships”?

MARTHA: Acho que a insatisfação feminina está mais relacionada à quantidade
de responsabilidades que ela tem assumido. Parece que é preciso ser super-mulher para provar que a revolução feminista vingou. Vejo certas capas de revistas, e parecemos todas biônicas, infladas, poderosas. Creio que é o momento de buscar um equilíbrio nas tarefas e não se importar muito com o que a sociedade espera de nós. Quanto às fast relationships, eu sei que é isso que rola, mas fica difícil eu comentar sobre algo que não tenho testemunhado in loco. Ao menos nos circuitos que eu freqüento – bastante  caseiros, reconheço – ninguém está se sentindo condenado a essa brevidade: tem muita gente aí a fim de investir numa relação, de não ficar trocando de par a cada semana. O que as revistas mostram, a vida das celebridades, não pode ser analisada como padrão de comportamento.

G1: O fato de ser gaúcha ajuda você a ter uma percepção diferente das coisas? A sociedade gaúcha é mais machista e conservadora que a do eixo Rio-São Paulo? Ou isso é um preconceito?

MARTHA: Não sei se o meu trabalho seria diferente no caso de eu ter nascido no
Rio de Janeiro ou em São Paulo. Se eu tivesse nascido de outro pai e outra mãe, aí sim: seria uma pessoa diferente. Mas minha influência cultural não vem apenas de costumes regionais: vem dos livros, do cinema, das viagens, de idéias que extrapolam fronteiras. O Rio Grande do Sul tem uma tradição machista, mas ao mesmo tempo foi o primeiro estado a apoiar a união entre homossexuais. É um estado conservador e, ao mesmo tempo, foi o primeiro a dar suporte ao PT, quando este ainda era um partido totalmente alinhado com uma esquerda dita revolucionária. Então prefiro não me amparar em estereótipos. Acho que temos uma queda por rótulos, o que reduz a visão do todo.

G1: A sua experiência na publicidade afetou de alguma maneira a sua escrita, no sentido de ter ensinado a “seduzir” o leitor?

MARTHA: Sem dúvida. O texto publicitário quer persuadir, antes de tudo. Trabalhei cerca de 14 anos nessa área e certamente trouxe alguns cacoetes para a crônica, só que meu universo agora não é mais o de compra e venda de produtos, e sim o da permuta de idéias, do compartilhamento de reflexões. Ainda assim, reconheço que meu texto procura  “ganhar” o leitor através de uma comunicabilidade amparada no humor e no coloquialismo, e isso tem a ver com a propaganda. Meu texto não é indiferente em relação a quem o lê.

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LEIA TAMBÉM, da mesma autora:

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Gatos, ratos e homens - Postado por Luciano Trigo em 16 de Novembro de 2008 às 15:29

Firmin e Dewey combinam com êxito dois filões do mercado editorial: livros sobre livros e livros sobre bichos

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Uma tendência recente do mercado editorial são os romances que tematizam a própria paixão pela leitura e pela literatura - e assim cativam duplamente os leitores, que se reconhecem nos textos como sujeitos da mesma paixão. Basta pensar no sucesso de A menina que roubava livros, de Markus Zusak, ou nos recentemente lançados O segredo das coisas perdidas, de Sherida Hay, e As memórias do livro, de Geraldine Brooks. Outra tendência é a dos protagonistas animais – como o cachorro de Marley e eu, de John Grogan, e seus sucedâneos, como o cão-soldado de De Bagdá com muito amor. Firmin (Planeta, 248 pgs. R$37,50), de Sam Savage, junta os dois filões, fazendo de um rato um leitor inveterado - e protagonista de uma história saborosa. Vivendo aventuras alheias, ele se vê transportado para uma tarde chuvosa em Paris, num poema de Verlaine, ou para uma Londres dominada pela peste, no famoso diário de Daniel Defoe, em viagens da imaginação.

Firmin cresceu no porão de uma livraria de Boston, dos anos 60, e logo percebeu que valia mais a pena ler do que roer as páginas de Cervantes ou James Joyce – que passou a devorar de outra maneira. O estranho hábito o faz ser marginalizado pela família. Mas, apesar de ser visto por seus colegas roedores como “ridículo, mentiroso, charlatão e pervertido”, Firmin é na verdade uma alma pura, que busca na leitura dos clássicos – e também nos filmes antigos, aos quais assiste num cinema do bairro, principalmente os musicais de Fred Astaire – um consolo para a sua solidão. Seus heróis são o livreiro e um escritor fracassado que freqüenta a loja, ameaçada de demolição. Ele tenta desesperadamente se comunicar com os dois, empreendimento condenado ao fracasso.

clip_image003Firmin é o romance de estréia de Savage, que já trabalhou como mecânico, carpinteiro, gráfico e comerciante. Seu texto mantém um equilíbrio delicado e difícil entre o humor e a melancolia, entre o tom fabular e a digressão filosófica, que se reflete nas ilustrações de Fernando Krahn. Meio vagabundo, meio pensador, o solitário e sensível rato-narrador intercala, com o relato de seus pequenos dramas pessoais (ou “ratuais”), reflexões sobre a mortalidade e o sentido da vida – uma questão ainda mais urgente e aflitiva para os ratos, pois suas vidas costumam ser mais breves e mais atribuladas que as nossas.

Já Dewey, um gato entre livros, de Vicki Myron (Globo, 272 pgs. R$24,90), que está há várias semanas nas listas de mais vendidos, conta a história real de um gato que mudou a rotina de uma pacata cidade americana, ao freqüentar sua Biblioteca Pública. A autora é a bibliotecária Vicki Myron, a primeira a se deparar com o bichano. Ela mostra como Dewey levou alegria, amor e vida à população, outrora apática, de Spencer. Já deu para perceber que Dewey é bem menos profundo que Firmin, apelando mais diretamente aos leitores que amam animais, mais que os livros.

Por exemplo, Dewey, num determinado momento, olha cada pessoa nos olhos, ronronando com gratidão: “Era como se ele quisesse agradecer pessoalmente a todos que conhecia por salvar-lhe a vida”, escreve a autora. “Quando Dewey chegou, era inverno e parecia que a nossa cidade estava triste. Mas, com o passar do tempo percebemos que a cidade se encheu de alegria e que Dewey inspirou até o progresso da cidade”. Mas  Dewey logo provoca uma polêmica, que divide os 10 mil habitantes do vilarejo. Muitos afirmavam que a presença do gato era prejudicial à saúde, enquanto outros defendiam sua permanência na biblioteca. Mas todos acabam se rendendo ao charme e ao carisma do felino - até mesmo o menino alérgico que mal podia se aproximar dele.

Com estilos variados e diferentes graus de ambição, Firmin e Dewey celebram o poder dos livros e da literatura de transformar a vida das pessoas. Seus personagens são espelhos do potencial e dos limites de cada leitor. Mais do que sobre gatos e ratos, falam, portanto, sobre seres humanos - e talvez esteja aí a verdadeira razão de seu sucesso